Análise subjetiva sobre o desempenho do Brasil na Copa da África do Sul.
Acabou hoje o sonho do brasileiro. Agora não há mais dias perdidos no trabalho, o consumo de cerveja por habitante tende a cair nos próximos meses, bem como o número de acidentes e mortes no trânsito. Tente enxergar o lado bom desta eliminação e aprenda mais com essa derrota.
Goleiros também choram. Julio Cesar foi o único a dar a cara a tapa em entrevista após o jogo em que Holanda eliminou o Brasil de virada por 2×1, e emocionado, chorou também na entrevista de saída dos vestiários.
Quem perde fala pouco. Dunga deu a entrevista coletiva mais curta desde a primeira nesta Copa do mundo. Depois de se esquivar de algumas perguntas e responder outras, o técnico brasileiro não apontou ou responsabilizou nenhum jogador individualmente, e já deixou “no ar” que seu tempo neste comando está chegando ao fim. Maradona aproveitará a situação para lançar mais veneno no mundo do futebol. Pelé se omitiu e agora pode falar mal – mais um pouco – do time que não passou das quartas de final.
Zagueiro também ataca. Lúcio, capitão e zagueiro, deixou a defesa diversas vezes e adotou a posição central e de ataque nos momentos de euforia do jogo. Se ele está na frente, a seleção perde um zagueiro e dá espaço ao ataque laranja.
Contratos publicitários podem ser encerrados. Alguns jogadores já milionários perderão contratos com grandes empresas, deixarão de aparecer nos veículos de comunicação e logo logo esqueceremos que eles foram os responsáveis pela eliminação do Brasil.
Galvão Bueno – "O que incomoda é que o roteiro (eliminação) parecia determinado. A preocupação muito grande era se o Felipe Melo seria expulso. Quantas pessoas falaram isso? E quantas pediram alguém diferenciado, que não fosse qualquer substituição?"
Sócrates - “É, na hora do aperto – como todos nós e até os energúmenos que nos visitam regularmente sabiam – faltaram o Gaúcho que não tem nada de reacionário, o Alex e principalmente o nosso zoológico que, na terra do safári, seria fundamental: Pato e Ganso poderiam mudar o jogo, mas eles lá não estavam.”
Casagrande – "Ninguém vai a lugar nenhum consertando erro da outra Copa. Ou voce muda o comportamento, assume os erros e tenta modificar. Senão, não dá certo."
Mas tudo há de entrar nos eixos. O país tem uma Copa e uma Olimpíada para organizar, uma nova seleção para formar e um novo técnico a contratar. Que este último seja experiente e humilde, menos insistente e mais propenso a mudanças e inovações.
E o brasileiro deve voltar ao trabalho duro, árduo, sem folgas ou saídas adiantadas. Os circos fecham por um período – entram em férias – mas sempre voltam com novos espetáculos. O futebol acaba mas a vida continua. Aproveite o tempo extra para adiantar os planos de final de ano. Pense no jantar de Natal, nas eleições presidenciais, nos problemas estruturais do seu bairro. E dê mais importância a tudo isso do que ao futebol. Você e o país saem ganhando, sem depender daqueles que estão há mais de cinco horas daqui.
Não fique triste. Este ano ainda tem o dia dos pais, a final do Campeonato Brasileiro, quatro feriados durante a semana e o início das inscrições para o próximo Big Brother. Como eu disse, o mundo não acabou.





















